Revendo as origens para o futuro (parte 2)

Após ter decidido meu futuro, criado meus planos e me contentado com a ilusão de que o mundo começa e termina em Brasilia, uma cadeia pequena de eventos mudou tudo. Dizem que o destino prega peças…

Meu futuro virou ao final de 2008. Em novembro, ocorria em Sao Paulo um evento gastronômico (considerado o mais importante do Brasil) chamado Mesa Tendências. O tema do evento foi a Espanha e contou com a presença dos melhores chefs espanhóis, que hoje, lideram a gastronomia mundial. Entre os chefs, Dani Garcia – Restaurante Calima, Martin Berasetegui – Martin Berasetegui Rest., Andoni Luiz Aduriz – Mugaritz e outros (brasileiros inclusive), estavam tres particularmente importantes: Alex Atala, do D.O.M., Juan Mari Arzak, de seu restaurante homonimo, e Ferran Adriá, do famigerado elBulli. Em meio a palestras, congressos, e degustações, esses feras fizeram um jantar especialissimo batizado como “o jantar do século”, no qual as poucas vagas foram leiloadas entre R$2000 e R$5000 cada! De qualquer forma, eu NAO participei do evento… ¬¬

Acontece que Alex Atala, amigo dos espanhóis, convenceu o grande herói da cozinha de vanguarda Juan Mari Arzak e o incansável gênio ambulante Ferran Adriá para extender a visita no Brasil e dar um pulinho na Amazonia. Assim poderiam descobrir novos sabores, comidas típicas, culturas e também curtir umas ferias longe de impressa, poluição, stress e qualquer outro envolvente do cotidiano… Entrou-se em contato com o grupo Rebelo, tal qual, possui uma ilha no complexo de Marajó ( a maior, depois da ilha de Marajó) onde existe o maior cultivo em manejo de tartaruga, bufalo amazonense, pirarucu, jacaré, capivara e paca do mundo! (fora a riqueza em açaí, pupunha, jambu, tucupí…) Lugar ideal para abrigar os chefs curiosos e famintos. … Mas peraí, e quem vai cozinhar?

O grupo Rebelo presta vários serviços, entre eles, a venda das carnes exóticas. O chef Francisco Ansilieiro (ver post anterior) que viveu boa parte da vida na amazonia, trabalha com esses produtos muito bem e compra carnes exoticas do grupo para o restaurante Dom Francisco em Brasília. Não pensaram duas vezes em chamá-lo e permitiram um auxiliar. Meu pai e Francisco são amigos de muitos anos e trabalham muito bem juntos. Fazem banquetes em eventos nacionais e internacionais, eu participo de alguns, mas dessa vez, iriam os dois para a floresta praticar o “portunhól e qualquer lingua”, e claro, cozinhar.

Fiquei feliz por meu pai e por Francisco! Senti vontade de me juntar ao grupo mas não manifestei. Tinha alguns jantares para fazer na semana e estava mais ansioso para eles. Mas a viagem era a conversa do momento. E meu pai lamentava não ter vaga para mim na equipe, mas eu, sinceramente, não me importava tanto.

Em um almoço com Francisco, tocaram no assunto:
Pai – É uma pena que o Lui não possa ir. Não tem vaga mesmo Francisco?
Francisco – Uai? O Lui tem que ir!! A gente dá um jeito. Lui, você quer ir?
Eu – Quero sim…
Francisco – Pronto! Deixa eu ligar aqui pro fulano… Alô! bla bla bla preciso de um auxiliar a mais bla bla ele tem q ir bla bla ok! FEITO! O Lui está na equipe!

Yuhul! Ponto para a gente. Embarquei para o Pará e passei 5 dias com os chefs, cozinhando café da manhã, almoço e janta, pescando nas horas vagas, conversando assuntos alheios ao encerrar da noite sempre com muita alegria e, claro, caipirinha de balde! Ao final, da experiência, Os chefs ficaram encantados com tudo e muito agradecidos. Viramos amigos. E se alguém ficou mais encantado que eles, foi eu! A sabedoria, carisma e inteligencia dos chefs me impressionaram e abri os olhos para o mundo da gastronomia lá fora. E logo vi que tinha muito mais para aprender e busquei minhas oportunidades: Alex Atala, me convidou para uma temporada com ele em seu restaurante; combinei com J. M. Arzak passar parte das minhas ferias em seu restaurante enquanto ele comia e bebia pelas casas de tapas com meu pai, na espanha; e assuntei com Ferran se poderia aprender com ele em seu restaurante por um tempo, ele respondeu: Quando quiser!    =D   Agora, só correr pro abraço!

No começo de 2009 fui ao D.O.M.. Me formei ao final do ano em administração pela UnB e já em janeiro de 2010 fui à Espanha. 5 meses no Arzak e 7 meses no elBulli. Durante esse período, fui conhecendo pessoas, descobrindo lugares, cozinhas, preparos, ingredientes e as portas foram-se abrindo. Fui mudando minha concepção de cozinha e aderi a novas filosofias. Criei conceitos em minha vida que manterei até que algo me convença do contrário. Também nesse tempo, consegui um contrato no estrelado Le Manoir aux Quat Saisons, e no inovador De Kromme Watergang, onde estou atualmente.

Engraçado quando começo a pensar o que foi que me colocou aqui. A resposta é sempre a mesma: Sorte. Uma série de acontecimentos que me trouxeram até aqui foram se encaixando por mera decorrência do acaso. Mas, a não ser que você queira ganhar na loteria, sorte nunca será o bastante. É preciso enxergar as oportunidades e saber usar a sorte que lhe cai. Francisco e meu pai, me abriram uma porta de diamante, e eu achando que era vidro. Hoje tento fazer minha própria sorte, não é tão difícil quando se aprende a ver a sorte que está em cada coisa, seja uma reuniao profissional, um rolê com os amigos, um domingo em familia, um papo com uma possível paixão… a criação de um website

A sorte está por aí… para todos! E as oportunidades vêm junto. Saber combinar as duas para abrir portas, é uma questão de prática.
Boa sorte a todos!!  

Essa foto é fantástica. Já ganhei varias cervejas com ela, porque ninguem acredita que eu conheci Juan Mari Arzak no meio da amazonia, e ele estava com Ferran Adriá e juntos pescamos um peixe maior que a gente! =D

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