Revendo as origens para o futuro (parte 1)

 

Antes de continuar com posts e atualizaçoes “atuais”, gostaria de escrever sobre meu passado. Acho importante esclarecer por que raios estou aqui e como vim parar em um vilarejo perdido no sul da Holanda quem tem menos casas que meu conjunto no Lago Norte… O  momento é ideal para refletir e reviver, após um por-do-sol espetacular entre moinhos nos campos holandeses (as 10h da noite!), que sempre traz uma sensação de “contemplar o passado e se preparar para o futuro”. Será que sou só eu que sinto isso?…

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Meu pai conta que quando eu era recém-nascido, me levava para o quintal, onde plantamos, até hoje, temperos e legumes frescos, e lá mesmo espremia as ervas e aproximava do meu nariz para que eu as cheirasse. Segundo ele, eu dava gargalhadas. Parece mesmo que nasci na cozinha, afinal, meu pai e minha mãe são dois cozinheiros de mão cheia e também muito instigantes. Atingem resultados tão deliciosos que fica dificil acreditar que foram originados em um ambiente tão caótico. E eu, mexia as panelas mesmo sem alcançar bem o tinha em cima do fogão. Cresci com refeições divinas e por vezes, acompanhava o preparo.

Apesar da maestria com os sabores e cocções, meus pais nunca fizeram por dinheiro, puro amadorismo desde o principio, mesmo quando criam menus para restaurantes, ajustam receitas vencedoras de premios, e cozinham em eventos. Mas sem duvida, a recompensa vem – principalmente quando não a buscamos – e o hobby deles trouxe um grande reconhecimento e vários amigos no ramo. O nome “Veronese”, ganhava certa fama e respeito.

Conforme fui crescendo, o hobby e o nome “Veronese” que herdei me acompanhavam. Era aceito como ajudante nas grandes cozinhas da cidade, participava de eventos gastronômicos, degustações, congressos… E chegou aquele momento na minha vida em que se começa a pensar no futuro: O que vou fazer na faculdade? E depois? Como quero levar minha vida? Quero ser responsável pelo que? Quero ser o que? … Vi a oportunidade de usar a cozinha, um hobby, como profissão. Mas não queria ser um cozinheiro que fica na chapa de um restaurante, qualquer que seja, executando ordens e nada mais. Sempre sonhei alto e quis mais… quero ter meu próprio restaurante!

Por observação, notei que alguns grandes cozinheiros que conheci, não tinham a habilidade para manter um bom empreendimento. E no outro lado, grandes donos de restaurantes dependiam de pessoas como meus pais para criar pratos, ajustar menus etc. Percebi que para ser independente, teria que dominar os dois conhecimentos. Plano feito! “Vou continuar trabalhando e aprendendo gastronomia nos restaurantes com os chefs e em casa com a familia, e cursar um bom curso de Administração para não virar estatística do SEBRAE”.

Pintei a bolinha de Administração de empresas no PAS da UnB e me formei com a turma de 2º/2009. Durante esse tempo passei por diversos restaurantes cozinhando, aprendendo em paralelo: risotos, massas, reduções, cortes, finalizações, mal passado, bem passado, ao ponto, ao dente, molhos, branquear, cremes, assados, compotas… É claro que aprendi muito com muitos, mas de tudo que aprendi na cozinha, devo, principalmente, a duas pessoas: Marco Antonio Veronese (meu pai) e Francisco Ansilieiro (mentor).

Chef Francisco me ensinou não somente farofa de ovos e pato no tucupi, mais importante, me ensinou valores na cozinha, como respeito ao ingrediente, ao produto e ao produtor, a forma de trabalho, a paixão pela vida na cozinha. Sem a educação que me foi dada por ele, desde que era um menino, seja conversando ao degustar uma garrafa de vinho ou se queimando na beira do fogão, não entenderia a cozinha da forma que entendo hoje. E ainda após anos, com experiência internacional, passagem nos melhores restaurantes do mundo, sei que ainda tenho uma infinidade para aprender com ele.

Um dos valores que me define é algo que minha mae me ensinou, e que carregarei sempre comigo: gratidão. Sou grato a todos os grandes professores da minha vida, e os tenho hoje como amigos. Aprendi que nao importa aonde eu chegue, sempre terei o maior respeito por eles. O que pretendo alcançar, se um dia alcançar, jamais irá superar esses valores. Nunca devemos esquecer nossas origens! O que nos levou a nossa situação atual é o que nos deu potencial para irmos além. Olhar para o amanhã é de grande importância, mas acredito que não devemos focar no futuro, ou nem tanto no passado. A meu ver, devemos viver o tempo como um todo. Analisar o passado, viver o presente e planejar o futuro, para assim APRENDER com o passado, para então CRIAR o futuro e VIVER MELHOR o presente.

Sou deveras grato pelo meu passado, é por ele que vivo um presente impagável, e meu futuro promissor, só depende de mim.

Em meados da minha faculdade, enxergava meu futuro com uma cantina em Brasília, fazendo nhoque e outras massas. Algo digno, bem feito… Mas, meu futuro virou no final de 2008…

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