A experiência elBulli. E a última da história.

Afirmar que é ou foi um dos clientes do elBulli é uma sorte que poucos podem usufruir. O engraçado disso é a inesperada reação extremista de quem escuta: ou morre de inveja; ou não faz a mínima ideia do que seja (elBulli?! que é isso? Uma cafeteria?…).

Pois te garanto que viver com lembranças de um jantar no elBulli é algo sim para causar inveja. Eu tenho inveja destes! Claro que nada maldoso. Mas independente se lhe agradou ou não sentar e desfrutar os 48 pratos do restaurante, te-lo feito é uma experiência que muitos gostariam de ter tido e poucos tiveram.

Começa ao enviar um pedido de reserva e torçer, rezar, fazer a fé e esperar… esperar… até que chega a resposta  com uma proposta de reserva. Pronto, pode comemorar! Depois, viajar e chegar a Roses. Passar o dia na praia de Roses, ou fazendo compras no centro… que seja, até que, ao começo da noite, subir a estrada para Cala Montjoi.  A estrada, é de tirar o folego. A vista com o cheiro dos pinheiros e alecrim selvagem, e o mar da costa brava te colocam em um estado de espírito que renova, parecido com o que o Micheal devia estar sentindo quando escreveu Wanna be Startin Something. Para quem quiser ter um gostinho:

Corrida ao elBulli, Carretera Montjoy. 7km de tirar o folego.

Até que ao chegar no restaurante, já estão te esperando na porta. Do jardim, é possível ver pela grande janela a cozinha e causa frio na barriga. Ao entrar, te levam para a cozinha antes de qualquer coisa, onde estará esperando de braços abertos, Ferran Adriá. Um passeio pela cozinha e a emoção de ver todo aquele batalhão de branco preparando sua próxima refeição.

Sou eu em cima do toro.
Uma espiada dentro da cozinha

Uma foto com o chef e… a comer! O salão é aconchegante, tradicional, diferente do que se espera do restaurante. A sequência de comida começa, e não para, não para, não para… Dentro dela as emoções são muitas: felicidade, curiosidade, euforia, indagação, nostalgia, disposição, quebra de paradigmas, inclusive, repulsão, medo, nojo. Emoções que dependem da mente de cada um, da complexidade do prato, da historia de vida do cliente… Anthony Bourdain explica melhor do que eu:

Anthony Bourdain: Sem reservas. elBulli

E finalmente termina com uma das coisas que, particularmente, acho mais fantásticas de toda a experiencia: a caixa. Praticamente uma loja de doces open food portátil.

A Caixa

Depois do pecado de se esbaldar o possível e o impossível ao som da praia calma de Montjoy, chega a hora de ir. Ao sair do restaurante, após as devidas despedidas, o caminho escuro até roses é ainda magico sob a luz das estrelas da catalunia. E se tiver sorte, ver a lua ao horizonte se mesclando com as luzes da cidade faz você parar e contemplar, e agradecer a vida, que lhe acaba de sorrir!

Infelizmente, a experiência esta chega ao fim hoje em algumas horas, pelas ultimas 50 vezes para as ultimas 50 pessoas. elBulli fecha a temporada e desta vez, não reabre. Por isso dedico este post à jornada que foi elBulli, desde 1961 até hoje 30/07/2011, e tudo que causou e recausou na gastronomia no mundo e na minha vida também. Ferran decidiu dar mais um grande passo e fazer mais uma grande mudança. elBulli Foundation abre em 2014 com um projeto global de pesquisa e desenvolvimento gastronômico. Testes que serão transmitidos a tempo real pela internet por todo o mundo.

Sem dúvida, hoje é um dia muito importante para a história da gastronomia e um dia muito emocionante para mim e varios companheiros que viveram esta cozinha e a jamais esquecerão.

Para seguir sendo felizes

Parabens elBulli por todas as conquistas, contribuições e história.

PS: aconselho os leitores a ver os videos deste post e visitar os links. São ricos e ajudam a entender a real importância do restaurante.

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